1 de dezembro, 2017

PIASA – DESIGN + ART do Brasil

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É com imensa satisfação que apresentamos esta nova edição do Brazilian Design Auction, uma especialidade em expansão. Atualmente, a produção do design no Brasil se estende por todo o país, com profissionais que trabalham nas três principais capitais e cidades do interior. O Brasil, bem conhecido antes dos anos 50 como “copiador” de desenhos europeus, é agora reconhecido como uma das principais partes interessadas em trazer um novo frescor para o mercado de design. Antes esporadicamente apresentado no exterior, o design brasileiro tem ganhado reconhecimento mundial. Desde o final do ano passado, as galerias brasileiras vem sendo aceitas nas principais feiras da Europa e dos Estados Unidos, onde o “connoisseurship” já trás um olhar afiado para as peças expostas. Projetos coletivos de designers brasileiros mostram criações contemporâneas no exterior durante eventos internacionais em Roma, Londres e durante as Semanas de Design (Design Week) em Milão, Nova York e Paris. Uma organização brasileira robusta está sendo criada, reunindo seus protagonistas unido por um feroz desejo de coesão e valorização de sua identidade nacional. O aumento constante das peças e sua variedade no mercado criam uma emulação sem precedentes. Acompanhando esse movimento, as publicações sobre o assunto estão se multiplicando, permitindo colecionadores a terem acesso com total transparência, às origens, aos arquivos com anos de pesquisa, sobre os trabalhos de seus designers favoritos. Por exemplo, os recém lançados Bíblia de Design Brasileiro, Móvel Moderno Brasileiro da Editora Olhares, como muitos outros catálogos que mostram o importante referencial e as necessidades iconográficas indispensáveis para apoiar este mercado florescente.

Concebido como a continuação do leilão em 2016 “Design do Brasil”, a extensão tem um panorama histórico do design brasileiro, apresentando peças históricas e contemporâneas dês de a década de 1950 até o presente.

O Brasil começou a produzir mobiliário ímpar já na década de 1940, com designers abandonando as influências europeias, lançando um novo estilo imbuído de sua própria cultura, adaptada ao gosto local e aos meios de produção. As décadas de 1950 e 1970 foram um dos períodos mais férteis para o Design Brasileiro, e um campo de expressão para pioneiros do modernismo. Os 130 trabalhos apresentados na PIASA de designers como Joaquim Tenreiro, Sergio Rodrigues, Scapinelli, Zanine Caldas, Oscar Niemeyer, Carlos Hauner, Martin Eisler e Lina Bo Bardi abrangem esse período e nos ajudam compreenda sua evolução estilística.

Design do Brasil 2017 é uma viagem mais ousada do que a anterior. Este ano, Piasa propõe um foco particular na descoberta de novos talentos brasileiros. Com uma grande variedade de peças que mostram a riqueza do design contemporâneo, a diversidade dos materiais, a originalidade das peças, os seus pequenos toques de humor ou suas interatividades. Um design funcional subversivo que traz novas dimensões simbólicas, conquista o mercado internacional.

Os Irmãos de Campana, na origem do “design d’auteur”, criam obras no limites da arte contemporânea com dinâmicas de mercados semelhantes. Essa tendência continua a evoluir e diversificar, através de múltiplas experiências subjetivas baseadas na divulgação de referências conceituais dos móveis e produtos da indústria do design. A apropriação de objetos cotidianos e outros elementos descontextualizados – criando assim novos sentidos – é relevante no trabalho dos Campana, bem como Leo Capote (Lotes 146 e 148) e Brunno Jahara (Lote 160). O mesmo ocorre com as peças de Mari Dabbur e Yankatu, que apresentam elementos de artesanato local em suas peças: a Poltrona Meada (Lote 154) e o conjunto Memórias (Lote 151 e 152) enfatizam as habilidades tradicionais tecelãs de Mina Gerais, para reinventá-las.

A música e a miscigenação no coração da cultura brasileira são obviamente a agenda. O Banco Tom de Alfio Lissi atrai notas de Bossa Nova, Cariocas elevam e se perguntam enquanto Luciana Duque nos leva a uma caminhada nas pedras portuguesas do calçadão da praia de Copacabana, reminiscências do famoso Mar Largo, tema criado por Roberto Burle Marx (lote 143). A cadeira Paso Doble por Sergio Fahrer nos lidera através dos ritmos de Tango da Argentina (Lote 163). África – uma das essenciais origens do cruzamento brasileiro, também está em destaque com a poltrona Ndbele, que lembra os enfeites sublimes usados pelas mulheres girafas (Lote 164).

Notemos o enorme talento desses designers que são diretamente inspirados por suas diversidades e cultura local, ao mesmo tempo em que conseguem adaptar as suas ideias ao cenário de linguagem internacional do design contemporâneo.
A importância da madeira, que por sua abundância e acessibilidade continua a ser a material preferido no Brasil, também é significativo. Uma escolha óbvia para um país nomeado após uma espécie tão rara. O uso desta matéria-prima é ancestral, decorrente da cultura nativa, usada pelos colonos portugueses, para mergulhar no mobiliário moderno. Através de sua novas concepções e estéticas propostas, designers contemporâneos estão continuamente reinventando essa tradição de carpintaria, tão apreciada pelos mestres modernos. Este “design de autor” baseado na madeira, é representado por criadores contemporâneos, como os poéticos Paulo Alves, Ricardo Graham e Marcos Amato, apelidados de dedos de fadas da madeira. Rahyja Afrange, com forte conhecimento herdado do design escandinavo, enfatiza a simplicidade e a pureza deste material. Outros designers usam madeira em um maneira mais atenta: este é o caso do eco-responsável Rodrigo Simão, cujas criações visam a interação social (lote 135). Rodrigo Calixto nos faz redescobrir a história de cada peça de madeira, juntamente com seu inconsciente coletivo (Lote 128). Carlos Motta também explora esse material e deixa clara sua preocupação com a origem da matéria-prima: em geral reutilizando madeira que ele mesmo apelida de madeira de redescobrimento / madeira redescoberta. Dá origem a obras extraordinariamente poéticas, como a magnífica luminária Koguma, cuja cúpula é criada a partir de uma antiga mangueira (Lote 90), ou a mesa Não Me Toque (Lote 89) que questiona a circulação das espécies de madeiras amazônicas e sua proteção. Finalmente, outros designers estão explorando o próprio simbolismo do assunto, através da sua forma orgânica, como Julia Krantz (Lote 121) e o Designer Artesão (Lote 122).

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Além das espécies de madeira, consideradas como material raro e procurado, outros tesouros ainda escondido sob o solo brasileiro: pedras. A história da mineração do país remete ao século XVII, durante a era do Brasil colonial, quando os Bandeirantes saíram em expedições em busca de ouro, prata, esmeraldas e diamantes. Era costume que o mobiliário palaciano fosse adornado com estes tipos de tesouros. Este é o flashback oferecido pela bela mesa Poça de Katharina Welper, cuja finura do mosaico colorido lembra a incrustação de pedras preciosas do mobiliário antigo. Outros designers também estão interessados em valorizar minerais raros ainda não conhecidos. O mesmo Leo Dicaprio em suas mesas Pablo, onde escolheu usar um dos quartzos mais preciosos do mundo, o Macaubas azul (Lote 155). Studio Rika levanta a questão da transformação do material processado, trazendo este olhar da pedra preciosa, com o Rock Buffet, tendo o designer como lapidário, a mão que transforma a brutalidade em sublime (Lote 93).

Prototype, Samuel Lamas e Gisa Simas valorizam a produção artesanal através dos materiais e das técnicas manuais que eles usam, mantendo um relacionamento íntimo com a indústria. Criar, produzir e vender design requer habilidades muito diferentes e indispensáveis para esta nova geração independente de designers que estão sempre atentos a novas oportunidades.

Outros criadores assumem um lado científico para seu projeto construtivo. As obras enriquecem com referências à história da arte e design e a cultura brasileira oferece um novo visual enquanto aprimora as tradições estabelecidas. Tomemos o exemplo de Caique Banco Elo de Niemeyer, destacando o legado de seu bisavô enquanto revisando-o (Lote 114), ou o tributo de Paulo Alves a sua ancião Lina Bo Bardi com a Cadeira Bo (lote 102). O Latoog Regg é na verdade a filha escondida da rede brasileira (vermelha) e a famosa cadeira Egg de Jacobsen (lote 166). A mesa Non Objective do Studio Aveus propõe uma reinterpretação tridimensional da pintura suprematista (Lote 156). Chico Fortunato aborda arte concreta brasileira enquanto Claudia Moreira Salles incorpora certas reminiscências de Bahauss em um vocabulário contemporâneo (Lote 99 e 91).

O trabalho referencial presente nas peças de design também é válido para outros universos, como a infância, o mundo brincalhão e intuitivo. Achamos esses sabores de anos passados nas criações de Bianca Barbato (lotes 162 e 169). Também no tempo suspenso de um voo no balanço de Bilanx por Rodrigo Calixto (Lote 127). Da mesma forma, ao pisar a grama selvagem na poltrona Savana por Tiago Curioni ( Lote 96). Esta diversidade de aparências e sensações está ligada à história e às energias que compõem o universo como Erico Gondim nos lembra com sua mesa Vibra (Lote 95).

Essas criações cheias de personalidade e singularidade ilustram o design contemporâneo brasileiro, que está em constante evolução, assim como a liberdade que traz essas novas gerações. As cruzadas referências criativas e a acessibilidade à tecnologia são ilimitadas. Aleatoriamente as novas possibilidades são representativas ao seu contexto e à inventividade de seus autores. Dotado de potencial infinito, as novas gerações de designers brasileiros, recebidos calorosamente pelo público internacional, atingiram um nível de maturidade pronta para surpreender-nos todos os dias, um pouco mais.

Sophie Su – Consultora de Arte e Curadora

Pré-visualização das peças:
Sábado 9/12/17, das 11am até 7pm
Domingo 10/12/17, das 2pm até 6pm
Segunda 11/12/17, das 10am até 7pm
Terça 12/12/17, das 10am até 7pm

PIASA – 118 rue du Faubourg Saint-Honoré 75008 Paris – França

Informações e imagens:
Cécile Demtchenko Woringer – c.demtchenko@fiaza.fr
Tel: +33 (0)1 53 34 12 95
www.piasa.fr

*caso queira receber o catálogo completo das peças, por favor, enviar email para monica@carlosmotta.com.br

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